TRECHO:
Filhos de imigrantes judeus, de origem relativamente modesta, Goffman e Becker ascenderam socialmente, através do trabalho intelectual e da vida acadêmica, atingindo grande prestígio e notoriedade. Depois de inícios de carreira em que enfrentaram embaraços e dificuldades de diversas naturezas, Goffman, canadense, e Becker, de Chicago, construíram trajetórias profissionais brilhantes e tornaram-se figuras exponenciais de sua profissão nos Estados Unidos e internacionalmente. Estudantes e colegas do Departamento de Sociologia da Universidade de Chicago no final dos anos 40, começo dos anos 50, tomaram rumos diferenciados, embora mantivessem sempre algum contato.
Os trabalhos de Goffman começam a ser mais conhecidos no Brasil em meados dos anos 60. A ciências sociais no país tinham, na época, como referências principais o marxismo e o estruturalismo, com suas diferentes versões e facções. O nacionalismo antiimperialista e o próprio regime militar, com as radicalizações a ele associadas, não constituíam, propriamente, um estímulo à divulgação de autores norte-americanos, principalmente quando não ligados de modo nítido a uma preocupação de análise mais ampla de processos socio-históricos. Isso correspondeu a uma conjuntura especialmente polarizada, pois na própria formação das ciências sociais no país houvera influência de autores e pesquisadores como Donald Pierson, Emilio Willems, Charles Wagley, entre outros. Mas nos anos que se seguiram ao golpe de 1964, e mesmo no período imediato que o precedeu, houve uma forte tendência de rejeição à produção norte-americana, classificada de empiricista e pouco sofisticada. Uma exceção era C. Wright Mills, cuja obra, influenciada por Marx e Weber, apresentava forte componente crítico em relação à sociedade capitalista, particularmente aos próprios Estados Unidos (Mills, 1956).
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