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quarta-feira, 27 de julho de 2011

trajetórias : GOFFMAN E BECKER POR GILBERTO VELHO

TRECHO:

Filhos de imigrantes judeus, de origem relativamente modesta, Goffman e Becker ascenderam socialmente, através do trabalho intelectual e da vida acadêmica, atingindo grande prestígio e notoriedade. Depois de inícios de carreira em que enfrentaram embaraços e dificuldades de diversas naturezas, Goffman, canadense, e Becker, de Chicago, construíram trajetórias profissionais brilhantes e tornaram-se figuras exponenciais de sua profissão nos Estados Unidos e internacionalmente. Estudantes e colegas do Departamento de Sociologia da Universidade de Chicago no final dos anos 40, começo dos anos 50, tomaram rumos diferenciados, embora mantivessem sempre algum contato.
Os trabalhos de Goffman começam a ser mais conhecidos no Brasil em meados dos anos 60. A ciências sociais no país tinham, na época, como referências principais o marxismo e o estruturalismo, com suas diferentes versões e facções. O nacionalismo antiimperialista e o próprio regime militar, com as radicalizações a ele associadas, não constituíam, propriamente, um estímulo à divulgação de autores norte-americanos, principalmente quando não ligados de modo nítido a uma preocupação de análise mais ampla de processos socio-históricos. Isso correspondeu a uma conjuntura especialmente polarizada, pois na própria formação das ciências sociais no país houvera influência de autores e pesquisadores como Donald Pierson, Emilio Willems, Charles Wagley, entre outros. Mas nos anos que se seguiram ao golpe de 1964, e mesmo no período imediato que o precedeu, houve uma forte tendência de rejeição à produção norte-americana, classificada de empiricista e pouco sofisticada. Uma exceção era C. Wright Mills, cuja obra, influenciada por Marx e Weber, apresentava forte componente crítico em relação à sociedade capitalista, particularmente aos próprios Estados Unidos (Mills, 1956).

terça-feira, 19 de julho de 2011

DOSSIÊ Pertencimentos, individualização e subjetividades

trecho de APRESENTAÇÃO POR FERNANDA RIBEIRO
"Apresentação
Presentation
Pertencimentos, individualização e subjetividades
Belonging, individualization and subjectivations
Distanciando-se de possíveis usos reifcados da palavra família, os artigos
apresentados  no  dossiê  Pertencimentos,  individualização  e  subjetividades
colocam  em  evidência  a  dinamicidade  dos  processos  socioculturais  que
produzem as experiências de família através das quais os sujeitos se constituem,
recriando-as  em  permanência. Apoiadas  em  linhagens  teóricas  diversas,  as
análises colocam o foco em práticas e discursos de e para as diferentes idades
da vida, deixando entrever a dimensão relacional que as caracteriza. Ao trazer
à tona o que pode estar em jogo na colocação do nome paterno na certidão de
nascimento, em deslocamentos residenciais ou na expressão de sentimentos,
em  práticas  de mercado  ou  em  atuações  que  visam  garantir  direitos,  estes
artigos desacomodam evidências. Assim procedendo, expõem limites do “olhar
organizador” que segmenta infância, juventude ou velhice podendo obscurecer
tanto  a fuidez  de  suas  fronteiras  quanto  de  suas  relações  cotidianas. Para
além de constatar os processos de individualização em curso em sociedades
ocidentais, o que vemos emergir são sujeitos envolvidos em reconfgurações
relacionais,  rearranjos de poder,  construções de  si  em  referência  a  lugares,
flhos, leis, juízes, pais, agentes de políticas, parceiros... "